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terça-feira, 23 de julho de 2019

Nova classificação de toxicidade para agrotóxicos (ANVISA)

Sob a nova regulação, o nível de toxicidade dos produtos agrotóxicos será classificado pelo risco de morte que representa aquele produto.
Da forma como é feito atualmente, são considerados estudos sobre outras reações que não a morte, como irritações dérmicas e oculares, na classificação toxicológica.
As mudanças previstas sob o novo marco regulatório seguem o Sistema Globalmente Harmonizado de Classificação e Rotulagem de Produtos Químicos (GHS, na sigla em inglês), já implementado por diversos países.
"No GHS, os resultados dos estudos toxicológicos de irritação dérmica e ocular e de sensibilização dérmica e inalatória não serão utilizados para fins de classificação toxicológica e sim utilizados para estabelecer a comunicação do perigo dos produtos", afirmou a Anvisa em apresentação técnica publicada no seu site.
"A proposta é seguir esse sistema de classificação harmonizado globalmente e estabelecer critérios científicos para comparar a toxicidade (ação tóxica) entre os produtos com base na mortalidade", afirmou a Anvisa em comunicado publicado em seu site.
Desde o início do governo do presidente Jair Bolsonaro, o Brasil já concedeu 262 registros de agrotóxicos, cerca de 30 registros a mais do que no igual período de 2018. Se continuar neste mesmo ritmo, o país superará os 450 registros concedidos em 2018.
"A Anvisa modernizou seus processos, como a gente já modernizou em outras áreas. Acho que a área de agrotóxicos é talvez a última área dessa modernização nas áreas de concessão de registros", disse.
O diretor de autorização e registros sanitários da Anvisa, Renato Porto, disse nesta terça-feira a jornalistas que o objetivo da Anvisa é fazer com que o país "tenha uma avaliação de risco concatenada, harmonizada com vários países do mundo".
Além disso, o Brasil poderá reaproveitar informações já colhidas por outras autoridades em suas avaliações para complementar sua análise própria.
A iniciativa de propor tal adequação partiu do entendimento de que as diretrizes usadas na avaliação toxicológica dos agrotóxicos estão desatualizadas frente ao conhecimento atual, às questões relacionadas ao bem-estar animal e às melhores práticas regulatórias adotadas no mundo.
Além das mudanças nos critérios de classificação de toxicidade, o novo marco regulatório também prevê alterações nas rotulagens, adequando a comunicação dos riscos a padrões adotados internacionalmente.
“A rotulagem é o que publiciza a avaliação do risco dos produtos. Por isso, a sociedade precisa conhecer o rótulo”, disse. Na avaliação de Porto, assim será possível comunicar melhor os perigos ao agricultor, que é um público vulnerável às substâncias por trabalhar e manipular os produtos. A partir da publicação no Diário Oficial da União, as empresas terão um ano para a adequação das normas de rotulagem.
(Por Laís Martins)

segunda-feira, 15 de julho de 2019

1.25 milhão de intoxicados por agrotóxicos em 7 anos, estimam Fiocruz e ...

terça-feira, 9 de julho de 2019

OS RISCOS DO MATA-MATO... O POTENCIAL CANCERÍGENO DO GLIFOSATO

segunda-feira, 1 de julho de 2019

União Europeia proíbe uso de 40% dos agrotóxicos recém liberados no Brasil, perceba o risco que estamos correndo.



Quando tratamos o assunto, ,uitas vezes não damos a devida importância... Assista o vídeo, ganhe 6 minutos no seu dia  e ajuda a salvar vidas, inclusive a sua!

quarta-feira, 12 de junho de 2019

Centenas de novos pesticidas aprovados no Brasil


O Brasil aprovou centenas de novos pesticidas desde que seu presidente de extrema direita, Jair Bolsonaro, assumiu o poder em janeiro, e mais de mil desde 2016, descobriu um estudo. Muitos dos aprovados são proibidos na Europa.
Dos 169 novos pesticidas sancionados até 21 de maio deste ano, 78 contêm ingredientes ativos classificados como altamente perigosos pela Pesticide Action Network e 24 contêm ingredientes ativos proibidos na UE, de acordo com o estudo publicado na quarta-feira pela agência de notícias Unearthed do Greenpeace. Outros 28 pesticidas não incluídos no relatório foram aprovados nos últimos dias de 2018.
"Parece que eles aceleraram o processo de aprovação", disse David Eastmond, toxicologista da Universidade da Califórnia, em Riverside. "Alguns deles são altamente perigosos e isso gera preocupação".
O Brasil começou a acelerar as aprovações de pesticidas em setembro de 2016, depois que Michel Temer, um político conservador com laços estreitos com o agronegócio , assumiu a presidência. Bolsonaro também ganhou a presidência com forte apoio do setor do agronegócio.
Desde que Temer assumiu, 1.270 pesticidas foram aprovados - o dobro do número nos quatro anos anteriores. Desses, 193 continham ingredientes ativos proibidos na UE, descobriu a Unearthed usando dados do Ministério da Agricultura do Brasil.
“Nunca tivemos uma liberação tão grande de pesticidas. Esta é certamente uma decisão política ”, disse Marina Lacorte, coordenadora da campanha de agricultura e alimentos do Greenpeace Brasil. "A indústria coloca os lucros à frente da saúde da população".
A preocupação se espalhou para além do Brasil. A cadeia de supermercados sueca natural e orgânica Paradiset parou de vender produtos brasileiros na semana passada por causa do aumento nas aprovações de pesticidas e a ameaça que a Bolsonaro representa para a floresta amazônica. Seu fundador, Johannes Cullberg, lançou uma campanha #BoycottBrazilianFood .
Várias empresas estrangeiras têm pesticidas aprovados no Brasil que são proibidos ou restritos em seus próprios países, descobriu a Unearthed.
A empresa química chinesa Adama registrou 25 produtos no Brasil desde 2016 que contêm produtos químicos que não poderiam ser usados ​​na UE, incluindo dois com acefato. A China introduziu restrições ao acefato em 2017. "Segurança humana e ambiental ... são compromissos fundamentais para nós", disse um porta-voz da Adama à Unearthed.
A Helm, com sede em Hamburgo, registrou nove produtos no Brasil que não pôde ser vendido na Alemanha no mesmo período, incluindo um contendo o herbicida paraquat, que foi proibido na Europa desde 2007 e deve ser proibido no Brasil até 2020. A empresa não não responde às perguntas da Unearthed.
Três produtos brasileiros contendo atrazina foram aprovados este ano. A atrazina é proibida na UE desde 2003 e foi encontrada para castrar sapos quimicamente . Produtos contendo atrazina também são vendidos no Brasil pela Syngenta, uma antiga empresa suíça que agora pertence à ChemChina. A empresa chinesa também vende paraquat, que é fabricado no Reino Unido.
A Syngenta disse: “Fabricamos em alguns países para garantir que todos os nossos clientes se beneficiem dos mesmos altos padrões e, claro, para gerenciar os custos. A atrazina e o paraquat estão registrados em muitos dos chamados países desenvolvidos. ”
A ministra da Agricultura do Brasil, Tereza Cristina Dias , disse ao parlamento em maio que um "processo ideológico" impediu governos anteriores de aprovar pesticidas e defendeu o uso do glifosato, um herbicida polêmico.
A Agência Internacional de Pesquisa sobre o Câncer classificou o glifosato, atualmente aprovado para uso nos EUA e na UE, como “provavelmente carcinogênico para humanos” em 2015. Em maio, um tribunal da Califórnia concedeu mais de US $ 2 bilhões a um casal que disse que o herbicida causou o câncer - uma alegação negada pelo fabricante Bayer, que enfrenta outras ações judiciais. O Brasil aprovou 87 produtos contendo glifosato desde setembro de 2016, incluindo oito este ano.
Uma porta-voz do Ministério da Agricultura do Brasil disse em um e-mail que os ingredientes de todos os pesticidas aprovados neste ano já estavam sendo vendidos por outras empresas. Atribuiu o aumento de aprovações a mais pessoal treinado quimicamente no ministério e na reorganização da agência reguladora Anvisa, que, juntamente com os ministérios da agricultura e meio ambiente, aprova novos produtos.
Antes de se tornar ministro da Agricultura, Dias presidiu uma comissão parlamentar no ano passado que aprovou um projeto de lei polêmico para suspender as restrições aos pesticidas, apelidado de “pacote venenoso” pelos oponentes. O projeto de lei ainda precisa ser votado.
Luiz Cláudio Meirelles, pesquisador do instituto de pesquisa do governo Fiocruz e da Associação Brasileira de Saúde Coletiva (Abrasco), disse que o Congresso aprovará uma proposta de lei de 2016 que a Abrasco ajudou a reduzir o uso de pesticidas e promover ingredientes naturais.
"Se houvesse investimento, se houvesse foco nisso, avançaríamos rapidamente", disse ele. "Temos um modelo que é muito dependente de pesticidas".

Fonte - The Guardian / maio de 2019

terça-feira, 14 de maio de 2019

CTPP aprova novo texto da NR 12




Norma aborda Segurança no Trabalho em Máquinas e Equipamentos
Por Fundacentro/ACS - Cristiane Reimberg em 10/05/2019

A Comissão Tripartite Paritária Permanente – CTPP se reuniu em Brasília/DF, em 7 de maio, para discutir a proposta de reestruturação da Norma Regulamentadora n.º 12 (Segurança no Trabalho em Máquinas e Equipamentos). As modificações foram discutidas anteriormente pela Comissão Nacional Tripartite Temática – CNTT NR12, em abril, resultando no novo texto aprovado pela CTPP.

A presidente da Fundacentro, Marina Battilani, participou das discussões nessa 5ª Reunião Extraordinária e esteve dia 6 na reunião da bancada de Governo. “A modernização da NR 12 faz parte de um dos pilares da Secretaria do Trabalho, que é desburocratizar, simplificar e modernizar, mantidos todos os patamares da saúde e segurança do trabalho”, afirma Battilani, citando uma das frases que marcou a reunião.

As bancadas de Trabalhadores, Empregadores e Governo buscaram um consenso para o novo texto da NR 12, que passará por uma última revisão redacional e deverá ser publicado até o mês de junho. Os anexos da NR 12 serão adequados às modificações aprovadas pela CTPP.

CNTT NR 12

O trabalho da CNTT NR12 vem de longa data, já que a norma teve uma grande atualização publicada em 2010. Os membros têm atuado desde então para discutir a adequação das máquinas e dos prazos para implementação, além das revisões necessárias a partir do consenso entre trabalhadores, empregadores e governo.

A bancada do Governo dessa comissão se reuniu na Fundacentro (Centro Técnico Nacional), em São Paulo/SP, em 11 de abril de 2019. No dia 12, a reunião ocorreu no Sindicato dos Padeiros, na mesma cidade, entre os representantes do Governo e dos Trabalhadores. Na semana seguinte, em Brasília/DF, todas as bancadas da CNTT NR12 se reuniram para finalizar o material, que foi discutido pela CTPP em 7 de maio.

Na CNTT NR 12, a Fundacentro participa da Bancada de Governo, representada pelo engenheiro e tecnologista Roberto Giuliano, que atua na proteção de máquinas desde a década de 1990.

Histórico da NR 12

O livro Fundacentro – Meio século de Segurança e Saúde no Trabalho, de 2016, conta um pouco da trajetória da elaboração das Normas Regulamentadoras. Na página 100, narra-se resumidamente a história da NR 12:

A NR 12 (Segurança no Trabalho em Máquinas e Equipamentos) também foi discutida nessa época [década de 1990]. A instituição já havia sido procurada pelo sindicato dos trabalhadores no caso das motoserras no início dos anos 1990 e chamou os fabricantes, iniciando a discussão. Uma comissão tripartite foi constituída em dezembro de 1993 para apresentar propostas para a melhora das condições de trabalho com motoserra, o que culminou na alteração da NR 12. As alterações nessa norma vieram em outubro de 1994, estabelecendo a obrigatoriedade de cinco dispositivos de segurança no item referente a ruído e vibrações, a introdução de apontamentos de segurança no manual de instruções, o treinamento obrigatório para operadores profissionais de motosserras e a rotulagem de advertência. Também houve a assinatura de um termo de acordo na então Delegacia Regional do Trabalho (DRT/SP), no mês anterior à publicação, em que as partes se comprometiam a atingir os objetivos propostos.

A Fundacentro participou dessa construção assim como do Acordo das Prensas Injetoras, no mesmo ano. Com o tempo, outras ações vieram: “Passamos a atender reclamações sobre outras máquinas que causavam muitos acidentes: injetoras de plástico, cilindros de panificação, prensas mecânicas excêntricas”, conta o engenheiro da Fundacentro, Roberto Giuliano. Outros grupos tripartites e convenções coletivas foram elaboradas para essas máquinas, exigindo-se dispositivos de segurança e treinamentos dos trabalhadores. “Usamos as normas europeias, traduzindo pela ABNT e fazendo uma série de normas de segurança em máquinas”, recorda Giuliano. Os acordos coletivos de São Paulo acabaram fomentando novas alterações na NR 12. “Começamos a colocar princípios de segurança e as convenções coletivas como anexos”, explica o engenheiro sobre o trabalho que resultou em mais uma atualização da norma em dezembro de 2010.

Hoje [2016], a NR 12 apresenta “referências técnicas, princípios fundamentais e medidas de proteção para garantir a saúde e a integridade física dos trabalhadores”. Também “estabelece requisitos mínimos para a prevenção de acidentes e doenças do trabalho nas fases de projeto e de utilização de máquinas e equipamentos de todos os tipos” em todas as atividades econômicas. Essas questões são retratadas em 12 anexos: I – Distâncias de Segurança e Requisitos para o Uso de Detectores de Presença Optoeletrônicos; II – Conteúdo Programático da Capacitação; III – Meios de Acesso Permanentes; IV – Glossário; V – Motosserras; VI – Máquinas para Panificação e Confeitaria; VII – Máquinas para Açougue e Mercearia; VIII – Prensas e Similares; IX – Injetoras de Materiais Plásticos; X – Máquinas para Fabricação de Calçados e Afins; XI – Máquinas e Implementos para Uso Agrícola e Florestal; e XII – Equipamentos de Guindar para Elevação de Pessoas e Realização de Trabalho em Altura.

A Comissão Nacional Tripartite Temática (CNTT) da NR 12 vem novamente discutindo a adequação dessas máquinas e aumentando o prazo para implantação, quando necessário, além de dar subsídios para tal. “Muitas empresas se adequaram e diminuíram o número de acidentes. Estão alinhadas para produzir para exportação. As normas europeias e ISO foram nossas referências”, completa Giuliano. Também é feito um trabalho conjunto com a ABNT para a elaboração de NBRs visando às máquinas seguras.

O livro também trouxe estatísticas apresentadas, à época, pelas Centrais Sindicais, a partir de dados da Previdência Social, que apontavam a ocorrência de 221.843 acidentes com máquinas e equipamentos entre 2011 e 2013. Desses, 41.993 resultaram em fraturas, 13.724 em amputações e 601 em óbitos. Tratava-se de um trabalhador morto a cada um dia e meio, 270 trabalhadores fraturados por semana e uma média de 12 trabalhadores amputados por dia.